quinta-feira, 22 de março de 2012

A Carochinha

Andava a Carochinha
Varrendo a sua cozinha
Quando encontrou um tostão
Que brilhava ali no chão.

«Um tostão, ai que riqueza!
Vou a um salão de beleza
Para ficar mais bonita,
E também compro uma fita!»

E como estava tão bela
Lá se foi pôr à janela
A ver as suas vizinhas
Trabalhando, as pobrezinhas…

Carochinha estava rica
E tão bonita, com uma fita
No cabelo a enfeitar
Que até pensou em casar.


«Há noivo prà Carochinha,
Nesse alguém que se avizinha?»
«Ão, ão!» respondeu um cão.
«Contigo não, contigo não!»

«Há noivo prà Carochinha,
Nesse alguém que se avizinha?»
«Miau, miau!» respondeu o gato.
Ela atirou-lhe um sapato!













«Há noivo prà Carochinha,
Nesse alguém que se avizinha?»
«Hi, hó!» respondeu o burro.
«Ai, tu não, que és casmurro!»

«Há noivo prà Carochinha,
Nesse alguém que se avizinha?»
«Hi, hi!» disse um ratinho.
«Anda cá, meu amorzinho!»


Carochinha se agradou
E com o rato casou;
Para a boda festejar
Muitos bolos foi comprar.

João Ratão ficou em casa,
Viu um caldeirão na brasa.
«Que cheirinho, ai que cheirinho!
Cheira a feijões e toucinho!»












Debruçou-se na panela
Caiu para dentro dela!
Chega então a Carochinha
Que já era viuvinha.

Vai à panela, coitada
Pra servir a feijoada…
«Ai, o meu rico maridinho
Na panela do toucinho!»













Chora agora, a Carochinha
Que é rica e viuvinha;
Chora o seu João Ratão
Mais cozido que o feijão.

Chora tanto, a Carochinha
Que é rica e viuvinha;
Chora o seu João Ratinho
Mais cozido que o toucinho.











(Texto e desenhos de Felipa Monteverde)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Capuchinho e o lobo

Imagem retirada daqui. 

Andava o lobo na floresta
À procura de comida
Capuchinho, com uma cesta
Ia a casa da avozinha.

O lobo viu Capuchinho
Viu a cesta que levava
Cheirou-lhe tanto a bolinho,
Com tanta fome ficava...

Capuchinho caminhando
Naquele feio caminho
E o lobo a espiando
Com a ideia no bolinho.

Chegando a casa da avó
Capuchinho logo entrou.
A velha não teve dó:
Dos bolinhos não gostou!

Atirou-os pela janela,
O lobo os apanhou;
Abriu logo a goela
E que contente ficou!

Felipa Monteverde

terça-feira, 22 de novembro de 2011

O cão do meu vizinho

(Imagem retirada daqui.)


O cão do meu vizinho
Atacou o meu gatinho,
Espetou-lhe uma dentada
Não teve pena nem nada.

Aquele cachorro mau
Merece coça de pau,
Por o que fez ao gatinho
Que até é tão bonzinho.

O cão lhe ferrou o dente
E ladrou alegremente,
Pensando ser brincadeira
Toda aquela miadeira.

Mas o gatinho miava
Com a dor dessa dentada;
E o cão, sempre a brincar
Ainda mais lhe quer ferrar.

Então acudi ao gato:
Atirei com um sapato
À cabeça do cachorro,
Que até ganiu por socorro!

A ver se aprende a brincar
Sem aos outros magoar;
Que nisto de brincadeiras
Não vale fazer asneiras.

Felipa Monteverde

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O rapaz e o grilo


Era uma vez um grilo, que vivia num buraquinho no meio de um campo. Perto do buraquinho do grilo, que era a sua casa, passava uma estrada. Por essa estrada passava todos os dias, a caminho da escola, um rapaz.
Quando passava perto do buraquinho do grilo o rapaz ouvia-o cantar. Parava então, a escutá-lo. Gostava muito daquela melodia.
O grilo cantava e cantava, sem saber que havia alguém a escutá-lo.
Um dia o rapaz resolveu apanhá-lo. Pé ante pé, quando o grilo estava fora do buraquinho a cantar, o rapaz aproximou-se por trás e apanhou-o. Meteu-o numa gaiola e levou-o para casa.
O grilo não gostou nada de se ver assim fechado. Sentia falta da sua casa, do cheiro da terra, da erva fresquinha, das flores.
O rapaz dava-lhe alface para ele comer, mas o grilo depressa enjoou, de comer sempre a mesma coisa. Ainda por cima, ele nunca tinha comido alface, até àquela data. Não apreciava o sabor, mas tinha fome e por isso comia. Depois deixou de comer.
O rapaz andava triste, porque o grilo não cantava. Desde que o metera na gaiola e o levara para casa, o grilo nunca mais cantou.
A mãe disse-lhe que o grilo não cantava porque tinha saudades da sua casa. O rapaz resolveu soltá-lo.
No dia seguinte, ao ir para a escola, levou a gaiola do grilo com ele. Chegando ao local onde ficava o buraquinho do grilo, soltou-o.
O grilo fugiu imediatamente, à procura da sua casa.
O rapaz foi para a escola.
Quando voltou das aulas, à tardinha, passou perto do buraquinho do grilo e ficou contente: o grilo estava a cantar.
Deixou-se ficar, a escutá-lo.
Depois foi para casa, muito contente, a assobiar.

Felipa Monteverde

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Olha o cão, olha o cão!


O cão soltou-se.
Arrastou a corrente
E estragou as couves.
Francamente!

Vão prender o cão!
Dizia o meu pai.
Mas quem o apanha,
Onde é que já vai!!?

Minha mãe ralhava
Com tudo e com todos;
Ficou sem as couves
Esqueceu os bons modos.

Olha o cão, olha o cão!
Dizia a madrinha;
Escondeu-se acolá,
Debaixo da vinha.

Vão prender o cão!
Gritava a avó.
Mas quem o consegue?!
Ninguém que vá só…

Fui eu a correr
Mais o meu irmão,
E sem mais delongas
Prendemos o cão!

Felipa Monteverde

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Era uma vez um rapaz

Era uma vez um rapaz
Que se achava capaz
De comer vinte salsichas
E mais quinze sanduíches.

Era uma vez um rapaz
Que se achava capaz
De beber de uma golada
Três litros de laranjada.

Era uma vez um rapaz
Que se achava capaz
De comer dez costeletas
E mais cinco omeletas.

Era uma vez um rapaz
Que se achava capaz
De beber um garrafão
Cheio de sumo de limão.

Era uma vez um rapaz
Que se achava capaz;
E começou a comer
E começou a beber.

Era uma vez um rapaz
Que se achava capaz:
Mas só comeu três salsichas
E só duas sanduíches.

Era uma vez um rapaz
Que se achava capaz:
Mas só bebeu de golada
Um copo de laranjada.

Era uma vez um rapaz
Que se achava capaz:
Comeu uma costeleta
E só meia omeleta.

Era uma vez um rapaz
Que se achava capaz:
Mas nem quis o garrafão
Cheio de sumo de limão.

Era uma vez um rapaz
Que já não era capaz,
Porque já não tinha fome
E por isso mais não come.

Era uma vez um rapaz
Que já não era capaz,
Porque já não tinha sede
E por isso mais não bebe.

Felipa Monteverde

quinta-feira, 14 de abril de 2011

O mel

Se o mel não fosse
Assim tão doce
Não se chamava mel
Nem tinha a cor do mel.

Mas eu sei que o mel é doce
E que acalma a tosse
E que se chama mel
E é dourado, cor de mel.

Porque o mel tem de ser doce
E de se chamar mel;
É que, se assim não fosse,
O que acalmava a tosse
Do meu irmão Miguel?

Felipa Monteverde